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quinta-feira, dezembro 29, 2005 

Viver é estarmos vivos



Neste puro prazer de sentir a caneta a deslizar no papel, enquanto trinco uma maçã na solidão da noite, vou sentindo o marulhar dos pinheiros e o brilho das estrelas.

E sulcando livre em meu destino, mesmo que seja contra quem sou, me continuo nesta procura de estar vivo, de sentir que, assim, de mãos dadas, contigo ao lado, posso ser mais, nesta promessa de ser para sempre, com a palavra dada no compromisso livre de quem apenas ama.




Mesmo aqui e agora, na força da terra úbere, na sanguínea paisagem que nos dá a profundidade cósmica da criação. Sobretudo quando podemos sentir a ternura, sem as inibições dos que não sabem amar inteiros: no corpo, na alma e nos pequenos pormenores de um quotidiano sentido e plenamente vivido, em sonhos que apetecem repetir.


Sabe tão bem poder olhar-te, olhos nos olhos, e braços abraçados em plena luz do dia, peregrinando todos os meandros da cartografia do teu corpo. Sabe tão bem amar-te e sentir-me livre, feliz e vivo, diante do sol. Sabe tão bem viver feliz contigo.




Que viver é estarmos vivos, beijos nos beijos, amantemente companheiros, diante de todos os outros. Almas errantes de nómadas que gostam de parar e percorrer, em gestos de ternura, este poema por fazer de nosso amor feliz.